Estamos tão habituados a depender dos computadores e das redes que muitas vezes só percebemos a sua importância quando deixam de funcionar.
Foi o que aconteceu em julho no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Norte, onde ocorreu uma indisponibilidade do sistema informático durante cerca de duas horas. Segundo o INEM, a falha esteve aparentemente relacionada com uma atualização de um sistema de cibersegurança externo aos sistemas do instituto.
Durante o período de indisponibilidade, foram utilizados procedimentos alternativos, incluindo o registo de informação em papel. Parte das chamadas que normalmente seriam tratadas no Porto foi encaminhada para outros centros, nomeadamente Coimbra, Lisboa e Faro.
O episódio é um excelente exemplo de um conceito fundamental em redes informáticas: redundância.
Uma rede ou sistema crítico não pode simplesmente deixar de funcionar quando um dos seus componentes apresenta uma falha. É necessário prever problemas e criar alternativas.
Pode existir uma ligação de rede de reserva, outro servidor, outro centro de processamento ou um procedimento manual que permita manter o serviço enquanto o problema é resolvido.
O objetivo não é garantir que uma rede nunca falha. Isso é praticamente impossível.
O objetivo é garantir que, quando alguma coisa falha, o sistema consegue continuar a funcionar ou recuperar rapidamente.
É uma das razões pelas quais estudar redes não significa apenas aprender a ligar computadores.
Significa aprender a construir sistemas capazes de continuar a funcionar quando alguma coisa corre mal.
Porque, em determinados sistemas, uma rede em baixo não significa apenas computadores parados. Pode significar que uma decisão importante tem de ser tomada sem ela.
Imagem de destaque:Foto de David Pupăză na Unsplash

